1. Ter conhecido a infelicidade.
Se nunca estiveste na escuridão, não saberás reconhecer a luz como luz; a luz será apenas uma substância sublatente a ti, à qual és indiferente.
Uma das formas de ensinar uma verdade é mostrar o seu contrário: identificamos uma verdade quando conhecemos o seu contrário (um peixe é aquilo que não anda na terra; o dia é aquilo que não é noite; a pobreza é aquilo que não tem abundância). Por isso, para conseguires abraçar a tua felicidade, reclamá-la como tua e gritá-la sem escrúpulos, tens inevitavelmente que ter antes caído num poço sem fundo. Caso contrário, poderás estar a ser feliz sem saber - e ser feliz sem saber é (a não ser que tenhas sete anos) um despredício de felicidade.
2. Amar: as pessoas; o mundo; Deus; tu; uma pessoa especial - ou quaisquer outras coisas que te inspirem amor.
Estar feliz é como estar apaixonado. Sentir felicidade é sentir amor: serás tanto mais feliz quanto mais amor sentires - e o amor é como uma luz que emites e depois se reflecte de volta para ti na forma de felicidade (não é uma troca directa de bens). A felicidade é portanto o produto da multiplicação do amor (amor x vida = felicidade).
3. Decidir ser feliz.
A felicidade é uma opção pessoal que exige coragem, porque, quando decides ser feliz, já não te poderás queixar ou culpar e infelicidade pelos teus problemas; quando decides que podes, deves e queres ser feliz, começas a viver todo tu, o tu todo, e deixas de ficar à espera que isto ou aquilo aconteça para que a tua vida comece.
4. Estar consciente da morte.
Regra geral, só estudas (ou estudas até ter que pôr palitos nas pálpebras) quando vais ter teste, certo?; e só treinas (ou treinas até pingar) quando sabes que vais ter jogo, certo? E saboreias mais a companhia de alguém quando sabes a data da sua partida, não é?; e aprecias mais estar num lugar maravilhoso quando só podes lá estar por pouco tempo, não é?; e dá-te mais adrenalina fazer aquilo que não é permitido, não é?
Pois bem, se te lembrares que a morte é algo presente em cada segundo do teu batimento cardíaco; se a olhares olhos nos olhos, sem asco nem eufemismo; se sentires, agora mesmo, que nesta vida és um corpo tão invencível quanto frágil (és um corpo, só um corpo; por mais alma que tenhas, és um corpo) - vais agarrar a vida pelos cornos e agradecer, em cada respiração, a dádiva e o milagre que é viver. E, ao agradecer, estarás já, de repente, sem querer, a ser feliz.
26.04.2012
(Não consegui continuar com o resto dos ingredientes porque já estava cheia de sono. Espero que assim que já fique uma felicidade comestível.)